Olho para a tal foto, sinto que perdi demasiado, não sei, talvez nem tenha razão, mas sinto. Porque motivo era eu tão feliz? Não percebo, como consegui eu aquele sorriso tão sincero? Foi na época em que não sabia o que andava a fazer... Em que chorava por um brinquedo, fazia birra porque a boneca se partiu, em que a dor, a única dor era a dos dentinhos a nascerem ou a sapatada dos meus pais por ter deitado a sopa fora. Em que tudo era simples, queria comer e comia, queria beber e bebia, queria colo e tinha colo, queria dormir e dormia. Ai que tempos esses... Tudo tão fácil, tão simples, tão bonito. Agora? Agora é tudo tão mau, tão feio, tão... tão... Nem sei qual será a expressão que se adequa melhor. Agora olho para a foto, a tal foto e sorrio, com a lágrima a correr pelo rosto e corre com vontade de fugir, fugir para que não a vejam. Normal. Agora choro de dor, única também, mas imensa e derivada de um montão de motivos. Motivos que contribuem, cada um com o seu bocadinho e formam uma dor enorme, como uma bola de neve, que quanto mais vai rolando, mais grande fica. Agora choro, choro porque preciso, mas choro sem ninguém ver. Não gosto. E aquela foto? que tanto me atormenta! Como eu gostava de ter aquele sorriso de volta, como eu gostava que as dores que tenho fossem meras "passagens"... Não como agora, dores de saudade, de amor, de rivalidades, de desilusões, de ódios, de horrores e sabe-se lá mais de que. Oh! Como eu gostava de não ter crescido tão depressa. Perdi demasiado... Perdi festas de pijama onde se falavam em príncipes encantados que afinal não passam de sapos feios, perdi amores de verão onde se prometiam coisas infindáveis, mas prometem-se mundos e fundos quando (achamos) que é amor, perdi demasiado, eu acho. E aquela foto... Quem era eu ali? Não sei, talvez nem saiba ao certo quem sou eu agora. E continuo... chorando sem ninguém ver.

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